quarta-feira, 26 de maio de 2010

Evite rótulos ao educar

Oi Pessoal, achei esta matéria super importante, pois trata das consequências dos "rótulos" dados às crianças. Fiquei pensando, quantas vezes a gente não passou por isso na escola,em casa, no serviço, e nem sabia da importância... Posto para vcs abaixo a matéria publicada na Revista Nova Escola:

Manuela é a desinibida da turma, falante e agregadora. Maria, Ana e algumas outras são candidatas a princesinhas, sempre muito arrumadas. Já Rodolfo é um pestinha, vem de uma família complicada e não se desgruda dos repetentes. Corriqueiro entre professores e gestores escolares, o hábito de rotular estigmatiza as crianças e as desestimula a aproveitar uma das grandes vantagens do ambiente escolar: a liberdade para experimentar papéis e posturas. "Entre os menores, alguns estudantes nem sabem os nomes direito porque só escutam apelidos", diz Andréia Cecon Rossi, diretora da EMEI Curió, em Itatiba, a 89 quilômetros de São Paulo.

Quando adjetivos positivos são usados, o agraciado acaba se convencendo de que é superior - e seus colegas de que dificilmente o alcançarão. "Além de tirar a autocrítica do sujeito, ele pode se tornar incapaz de refletir sobre as próprias ações, deixando de se arriscar naquilo em que não se sairia tão bem. Isso quando não fica incapaz de lidar com as frustrações", alerta Sonia Losito, doutora em Psicologia da Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

No caso das famas negativas, o mais provável é que o estudante se sinta preso ao juízo de valor. Chamar um aluno de burro é o mesmo que dizer que ele não se adapta ao mundo escolar. "As crianças não são iguais. Têm ritmos, jeitos e modos diferentes de aprender. Mas todos são capazes", defende Divani Nunes, formadora do Grupo de Apoio Pedagógico da rede municipal de Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

Em tese, os rótulos não são exclusivos do ambiente educacional. A antropóloga Ana Luiza Carvalho da Rocha, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, diz que faz parte da cultura humana julgar os outros com base nos próprios padrões e códigos éticos e morais. Eliana Braga Atihé, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo, complementa o raciocínio: "A classificação reflete a tendência de nossa identidade de se defender da diferença que o outro representa. Rotular é enquadrá-lo numa categoria que o reduza e simplifique para nós. É preciso um esforço para se afastar dos referenciais próprios e observar a beleza da diversidade".
Na escola, no entanto, essa prática é mais grave porque os alvos são seres em desenvolvimento e dão mais valor a julgamentos. "Somos suscetíveis ao olhar do outro e vamos formando nossa identidade em meio à interação social. O que penso de mim é influenciado pelo parecer das pessoas", argumenta Sonia. "Se, ao ser educada, uma criança recebe reflexos negativos, terá uma forte tendência a se pensar como alguém menos valioso."

O convívio em sala de aula pode ficar desequilibrado dependendo das atitudes dos professores. "Quando você critica publicamente um aluno e entrega de bandeja para a turma apelidos prontos, essa criança pode ficar estigmatizada e ser rejeitada", comenta Sonia Losito.

Há um estímulo, ainda que não intencional, à prática do bullying - todo tipo de agressão física ou psicológica que ocorre repetida e intencionalmente para ridicularizar, humilhar e intimidar as vítimas. "É impossível discutir ética na escola se o convívio é desrespeitoso. Como esperar que alguém se desenvolva num ambiente assim?", aponta Fátima Polesi Lukjanenko, especialista em Educação Moral e secretária de Educação do município de Itatiba.

Eliana Atihé reconhece que essa postura preconceituosa dá a falsa sensação de segurança tanto aos adultos como aos mais jovens. "Ao rotular, o professor muitas vezes está se defendendo dos alunos que representam uma ameaça por questionar sua autoridade, despertar sua insegurança, resistir a seu gesto formador. E é comum fazer isso sem dó nem piedade." Segundo ela, adultos alçados à condição de guias (e não apenas de transmissores de conteúdos) devem estar mais conscientes dos gatilhos que ativam esse mecanismo defensivo que empobrece as relações. E, por isso, precisam estar dispostos a compreendê-los e ultrapassá-los para tratar a todos com respeito.

A antropóloga Ana Luiza Rocha afirma que o estigma reforça também as estruturas de poder. "A maioria dos educadores usa juízos de valor para marcar seu lugar e mostrar às crianças que elas têm de ocupar outra posição." Ela cita um exemplo esclarecedor: "Quantos docentes chamam a família dos alunos de 'desestruturadas'? Pouquíssimos sabem que esse termo nem sequer existe na perspectiva sociológica".

Situações inadequadas também são rotineiras com alunos com deficiência. O mais corriqueiro nas escolas atualmente é o uso de diminutivos, como "mudinho" e "coitadinho". O consultor Romeu Kazumi Sassaki diz que "o tratamento deve ser de igual para igual, sem exageros ou atitudes paternalistas".

Outro problema é quando, em situações de aprendizagem, os estudantes são "estigmatizados por causa da deficiência", como destaca a neurolinguista Michelli Alessandra da Silva, da Unicamp. "Muitas vezes, os problemas que fazem parte do próprio processo de aquisição da escrita, por exemplo, são vistos como decorrentes de alguma patologia", aponta. Essa postura sugere que as crianças com deficiência são incapazes de acompanhar a turma regular, o que é um grande erro, como explica Maria Tereza Mantoan, também da Unicamp. "Todos os alunos são capazes de aprender segundo suas capacidades."

Quando os adjetivos estão relacionados à criminalidade, o desafio é igualmente espinhoso. A diretora Talma Suane, da EM República do Peru, no Rio de Janeiro, relata um processo de exclusão comum: unidades que, de forma velada, recusam a matrícula de alunos com histórico relacionado à violência.

http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/educar-rotulos-431171.shtml

2 comentários:

  1. Menina, minha RA é uma bagunça. Mas to na luta.
    Eu peguei uma dieta e dei umas adptadas.
    Mas to diminuindo as quantidades e comendo cisas mais saudaveis. Até as saborosas frituras abandonei.

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  2. Bom dia... vim retribuir a visita, adorei seu blog, as matérias são interessantes, parabens, apareça no meu cantinho quando quiser;ótimo domingo, minha querida, beijos

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